Uma das perguntas mais frequentes de CFOs que estão pensando em crédito estruturado é: "Qual instrumento faz mais sentido para o meu caso?" A resposta depende de três variáveis: o que você vai usar como lastro, quanto quer captar e em qual prazo.
Abaixo, um guia direto para os três instrumentos mais usados no mercado de capitais brasileiro.
CCB — Cédula de Crédito Bancário
A CCB é o instrumento mais flexível dos três. É um título de dívida emitido pela empresa tomadora e subscrito por um credor (banco, fintech de crédito ou fundo). Não exige securitização nem registro em bolsa.
- Prazo: 12 a 60 meses
- Volume mínimo: a partir de R$ 500 mil
- Lastro: balanço da empresa, recebíveis, garantia real
- Tempo de estruturação: 15 a 45 dias
- Ideal para: capital de giro, aquisições, expansão
FIDC — Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
O FIDC é um veículo de securitização que compra os recebíveis da empresa e os empacota em cotas para investidores. A empresa vende antecipadamente sua carteira de recebíveis e recebe o dinheiro à vista.
- Prazo: 24 a 60 meses (fundo permanente ou prazo determinado)
- Volume mínimo: a partir de R$ 10 milhões
- Lastro: recebíveis comerciais, CCBs, duplicatas, contratos
- Tempo de estruturação: 60 a 120 dias
- Ideal para: empresas com grande volume de recebíveis (varejo, agro, saúde)
CRI — Certificado de Recebíveis Imobiliários
O CRI é um título lastreado em créditos imobiliários — contratos de aluguel, financiamentos, contratos de compra e venda. É emitido por securitizadoras e distribuído a investidores qualificados, com isenção de IR para pessoa física.
- Prazo: 36 a 120 meses
- Volume mínimo: a partir de R$ 20 milhões
- Lastro: contratos de locação, financiamentos imobiliários, debentures imobiliárias
- Tempo de estruturação: 60 a 90 dias
- Ideal para: redes de varejo com imóveis próprios, incorporadoras, loteadoras
Comparativo rápido
| Critério | CCB | FIDC | CRI |
|---|---|---|---|
| Volume mínimo | R$ 500k | R$ 10M | R$ 20M |
| Prazo típico | 12–60m | 24–60m | 36–120m |
| Complexidade | Baixa | Média | Alta |
| Custo de estruturação | Baixo | Médio | Alto |
| Taxa de juros típica | CDI + 4–8% | CDI + 2–5% | CDI + 1,5–4% |
| Lastro principal | Empresa | Recebíveis | Imóveis |
A regra geral: se você precisa de dinheiro rápido, comece pela CCB. Se tem recebíveis em volume, explore o FIDC. Se tem imóvel como ativo estratégico, o CRI pode gerar o menor custo de capital de todos.
O erro mais comum
Muitas empresas escolhem o instrumento errado — ou se endividam com banco quando poderiam captar no mercado de capitais com custo menor. A diferença entre CDI + 8% (crédito bancário típico para média empresa) e CDI + 3% (FIDC bem estruturado) pode representar milhões em economia de juros ao ano.
A escolha certa depende de um diagnóstico detalhado da sua estrutura: qual é o lastro disponível, qual é o volume de recebíveis, quais são as garantias e qual é o prazo da necessidade. Não existe fórmula universal.
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